Blog

Rebuild by Pedro Sousa Loureiro

FOCO tem o prazer de apresentar REBUILD, uma exposição individual de Pedro Sousa Loureiro.

REBUILD reúne os desenhos e colagens que o artista fez durante a residências em Londres, Bernay-en-Ponthieu e Bruxelas e conta também com parte do processo de trabalho de Beautiful House d’ OS PATO BRAVO.

REBUILD coloca a memória num lugar que se quer intemporal. Por vezes, por falta dela. “O que preocupa é a relação da bidimensionalidade com a tridimensionalidade, com a tetradimensionalidade, com a pentadimensionalidade. Se tu estás aqui, faço uma relação com o corpo que está ali. Crio uma diferença de escala. Anexo uma boneca que faz uma analogia com a tua figura e depois disso resta esperar. Ficar parado e esperar.
Esperar que o tempo passe.”

ZONAS-LIMITE (texto de Fernando Pinto do Amaral sobre a exposição).
Desde que os seres humanos começaram a falar, precisaram de metáforas para designar tudo o que excedesse uma referência física directa, baseada na experiência sensorial imediata. Essa dimensão retórica infiltrou-se desde sempre em toda a linguagem, mas não se restringe às palavras, estando também presente nas imagens que vemos e nas leituras simbólicas que delas fazemos. Ao olhar para uma imagem, nunca consigo ver só o que lá está, por muito que queira apenas fazer isso. Digamos que em cada imagem mora sempre outra coisa, que depois me remete para outra imagem ou outra coisa, até ao infinito de haver coisas que aquelas imagens me façam evocar, num processo que, de certo modo, escapa ao meu controlo e ao de quem produziu as ditas imagens.

Apeteceu-me evocar esta correspondência – este contínuo desvio de sentido – a propósito dos mais recentes trabalhos do Pedro Sousa Loureiro no domínio das artes visuais, que fui descobrindo ao longo do tempo, numa amizade que começou por conhecer o génio criativo do autor num outro campo em que ele se tem destacado, o das artes performativas. De facto, os Pato Bravo constituem hoje um dos projectos mais radicalmente inovadores da cena portuguesa contemporânea, levantando questões que nunca se cingem a um léxico que seria eventualmente característico das referidas artes performativas, já que se cruzam, a cada momento, com saberes e práticas de outras proveniências estéticas. Nos seus espectáculos acontece sempre uma deriva que corresponde, afinal, ao tal desvio permanente de sentido.

Esta vocação para assumir um olhar transversal, desviante e interrogativo é um dos grandes méritos do Pedro em vários campos, mas aqui condensado em imagens nas quais o desenho nunca é apenas desenho, mimese, imitação reprodutora da realidade. A sua arte consegue criar realidades outras, não directamente transpostas para universos oníricos, mas revelando-se a partir de figuras humanas cuja carga emocional se desloca sempre para zonas de fronteira, zonas-limite do seu sentido, onde penetramos como se entrássemos num território ao mesmo tempo familiar e desconhecido – um território de certo modo paradoxal e desterritorializado, já que nos faz sair de nós mesmos, oferecendo-nos novos ângulos de visão num labirinto feito de rostos sem princípio nem fim.

Neste caso, a geografia humana que o Pedro Sousa Loureiro nos propõe surge abordada a partir de uma perspectiva muito pessoal, em que avultam os traços estilísticos próprios do autor, com as suas linhas fluidas e ao mesmo tempo rigorosas, em que os contornos se demarcam e simultaneamente se dissolvem, num jogo de recortes, manchas e penumbras em que vai emergindo alguma coisa do que somos e também do modo como nos mostramos uns aos outros – como se só graças a estes desenhos pudéssemos mergulhar no âmago de uma identidade perdida, mas ainda ao alcance dos sentidos.

Estes retratos – como aliás os outros desenhos do Pedro Sousa Loureiro – consistem, assim, num meio de nos aproximarmos de uma verdade oculta e ao mesmo tempo revelada nos contornos de cada rosto, nas suas linhas e nos seus contrastes. A sua presença interpela-nos, fica connosco e faz-nos perguntas cuja única resposta poderá eventualmente estar em nós próprios, mas num lugar não identificável de nós próprios. É essa visão que permanece connosco, desdobrada em três perspectivas diferentes – a do Pedro Sousa Loureiro, a de cada um de nós como seres conscientes e a dessa zona indefinida, uma zona terceira ou zona-limite, em que estes desenhos já não são exactamente dele nem nossos, mas de uma parte desconhecida de nós mesmos, à espera de ser decifrada.

​​​​​​Lisboa, Janeiro de 2018
​​​​​​Fernando Pinto do Amaral

Apoio: Antena 2

Inauguração Quinta-Feira, 01 de Fevereiro de 2018, a partir das 19:00

01 de Fevereiro 2018 | 28 de Fevereiro 2018
Terça feira a Sábado, das 11h00 às 20h00

Para mais Informações :
contact@focolisboa.com // +351910867976
http://www.focolisboa.com/

FOCO
Rua da Alegria, 34
1250-007 Lisboa

 


 

FOCO is pleased to present REBUILD, a solo show by Pedro Sousa Loureiro.

REBUILD brings together drawings and collages that the artist made during residences in London, Bernay-en-Ponthieu and Brussels and also part of the work of Beautiful House d ‘OS PATO BRAVO.

REBUILD puts the memory in a place you want to be timeless. Sometimes for lack of it. «What worries is the relation of two-dimensionality to three-dimensionality, to four-dimensionality, to pentadimensionality. If you are here, i make a relationship with the body that is there. I create a difference in scale. I attach a doll that makes an analogy with your figure and after that remains to wait. Stand still and wait. Wait for time to pass.»

BORDER ZONES (Text by ​​​​​​Fernando Pinto do Amaral about the exhibition)

Since human beings began to speak, they have needed metaphors to designate anything exceeding a direct physical reference based on animmediate sensory experience. This rhetorical dimension has always permeated all language, but is not restricted to words. It is also present in the images we see and in the symbolic readings we make of them. When looking at an image, I can never see just what is there, as much as wouldwant to do just that. Let us say that in every image there is always something else, which then leads me to another image or thing, to the infinitude of things that those images may evoke in me in a process that, in a certain way, is beyond my control and beyond the control of whoproduced the images.

I wanted to evoke this correspondence – this continuous deviation of meaning – about the most recent works of Pedro Sousa Loureiro in the field of visual arts. I discovered his works over time, in a friendship that began by knowing the creative genius of the author in another the field in which he has excelled, that of the performing arts. Os Pato Bravo are today one of the most radically innovative projects of the contemporary Portuguese scene, raising questions that never stick to a lexicon that would be characteristic of these performative arts as they intersect, at each moment, with knowledge and practices of other aesthetic backgrounds. In his shows there is always a drift that corresponds to the permanent deviation of meaning mentioned above.

This vocation to take a transversal, deviant and interrogative look is one of the great merits of Pedro in various fields, in this case condensed into images in which a drawing is never just a drawing, a mimesis, a reproductive imitation of reality. His art is able to create other realities, not directly transposed into dream universes, but revealing themselves throughhuman figures whose emotional charge always moves to border zones of their meaning, where we penetrate as if entering a territory at the same time familiar and unknown – a territory that is in a certain way paradoxical and deterritorialized, since it makes us leave ourselves, offering us new angles of vision in a labyrinth made of faces without beginning or end.

In this case, the human geography that Pedro Sousa Loureiroproposes to us is broached from a very personal perspective, in which the stylistic features of the author overflow, with his fluid and at the same time rigorous lines, in which the outlines appear and dissolve at the same time in a game of snippets, stains and penumbras in which something of what we are emerges as well as of the way we show ourselves to each other – as if only through these drawings we could dive into the core of an identitywhich was lost, but which still remains within reach of the senses.

These portraits – as well as the other drawings by Pedro Sousa Loureiro – thus consist of a means of approaching a truth which is hidden and at the same time revealed in the contours of each face, in its lines and contrasts. Its presence challenges us, stays with us and asks us questions of which the only answer may possibly be in ourselves, but in an unidentifiable place within ourselves. It is this vision that remains with us, unfolded in three different perspectives – that of Pedro Sousa Loureiro, that of each of us as conscious beings and that of that indefinite zone, a third zone or border zone, in which these drawings are no longer exactly his orours, but of an unknown part of ourselves, waiting to be deciphered.

Apoio: Antena 2

Opening Thursday, February 01st 2018, from 19pm

February 01, 2018 | February 28, 2018
Tuesday to Saturday From 11:00 a.m. to 8:00 p.m.

For more informations : contact@focolisboa.com // +351910867976
http://www.focolisboa.com/

FOCO
Rua da Alegria, 34
1250-007 Lisboa