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Pierre Barbrel | We’ve updated our privacy policy #01

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A Galeria Foco apresenta We’ve updated our privacy policy, uma exposição individual de Pierre Barbrel.

We’ve updated our privacy policy #01, através das suas obras e do escrutínio do seu público, conecta os vários “fragmentos” do artista. A sua pesquisa começou com a invasão de um hacker na caixa de correio do seu e-mail: “Olá pervertido!”. Chantageando-o por 2000 euros, o hacker ameaça lançar um vídeo do artista em masturbação entre os seus próximos. Este espaço começa com uma transgressão. Capturas de ecrã, conversas destruídas, mudança de imagens e polípticos, leves ou amargos, são todos marcados pelo sigilo, com o que não pode ser dito.

E, no entanto, o público é o único juiz. Ao examinar as obras silenciosas, ele poderá reconhecer alguns dos seus males, ecos das suas memórias ou dos seus próprios segredos. Poderá deparar-se também com as singularidades obscuras que são a cabeça e o coração do artista; quem é ele e o que quer de mim? O que existe no silêncio desses fragmentos? Quem são essas pessoas cujas palavras estão penduradas nas paredes? O que é que realmente partilham dos seus desejos, dos seus medos? E o que é que o artista transmite verdadeiramente? O que é que ele nos mostra? Estas mesmas perguntas, a sua preocupação curiosa, o modo como se tem que tentar e decifrar, para entrar, é assim que nasce a intimidade.

A maioria dos fragmentos são de telefones diferentes, de diferentes momentos da vida do artista. Na sua pesquisa, teve que seleccionar mais de 35.000 fotografias e screenshots. Algumas mensagens comoveram-no. Outras ele mostrou aos seus próximos. E assim caíram na memória externa da nuvem, este gigantesco composto de fragmentos de forma humana. O autor mergulhou ferozmente para recuperar cuidadosamente esses poucos sussurros; dos restos virtuais dos seus relacionamentos, fez objetos físicos tangíveis, de modo a colocá-los diante dos olhos dos outros, testemunhas de um corpo atormentado por pixels, incapaz de encarnar.

O que podemos ver, do espaço que sustenta estas obras? O que é que o autor realmente nos ofereceu? A fina camada de anonimato, as imagens em movimento, a própria disposição das obras nas diferentes salas exige um passo atrás, um passo mais perto, para a frente e para trás, entre dois fragmentos que de repente parecem estar ligados. Assim, o espectador aproxima-se cada vez mais. Próximo de um fragmento, poderia ouvir os silêncios do autor, ler o texto enfraquecido de uma imagem em movimento ou encarar o seu próprio olhar através de cem olhos. Ele também poderia continuar a andar, não refazer os seus passos, não procurar estes detalhes diabólicos. Muito longe ou muito perto, intrusivo ou descuidado, o público encontra equilíbrio neste espaço; tal como faria num relacionamento, ele escolhe o quão longe vai chegar, até onde irá expor o outro ao seu olhar.

Quando o público olha para um fragmento, o presente entrelaça-se com a memória do artista e com o momento em que o artista moldou essa memória no seu fragmento. Estas linhas de tempo cruzam num inextricável nó, cuja complexidade nos lembra constantemente do que nos falta. O autor manifesta um espaço sensível e implícito, que fazemos a partir dos elos finos que unem as suas obras; para o público, as chaves deste espaço são, no entanto, vistas como carentes. Ele está muito perto, ele está longe demais, ele está envergonhado? Talvez. Ele mal consegue ler um título, ele pede ao amigo uma tradução; falta-lhe sempre aquilo que perfuraria o nevoeiro dos fragmentos, tornando-os transparentes aos seus olhos. Esta lacuna é preenchida intemporalmente com as suas próprias perguntas, as suas projeções, a sua sensibilidade que crepita dentro das imagens.

O que devemos então fazer, com o outro, tão perto? Deixá-lo viver ou fazê-lo ceder? Alguns fragmentos esclarecem as manifestações físicas da censura. Uma urna, um corpo mutilado, os olhos que vigiam, tanto voyeurs como curiosos, ambivalência hipócrita. A escolha é do público; a partir deste momento, um vínculo ganha forma entre ele e o artista, um novo segredo nasce agora.

Texto de Guillaume Lepitre

Mais informações sobre o artista: https://www.pierrebarbrel.com

Inauguração Quinta-Feira, 20 de Junho de 2019, a partir das 19:00

20 de Junho 2019 | 06 de Junlho 2019
Terça-feira até Sexta feira: 14h-19h
Sábado: 14h-18h

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Foco Gallery presents We’ve updated our privacy policy #01, a project by Pierre Barbrel.

We’ve updated our privacy policy #01, through its works and the scrutiny of its public, bonds the many “fragments” of the artist. His search was initiated by the intrusion of a hacker in his mailbox: “Hi perv !”. Blackmailing him for 2000 euros, the hacker threatens to release a video of the artist in the midst of masturbation to his close ones. This space begins with a transgression. Screenshots, shattered conversations, changing images and polyptics, light or bitter, are all marked with secrecy, with what cannot be said.
And though, the public is the sole judge. Scrutinizing the silent works, he might recognize some of his ills, echoes of his memories, or of his own secrets. He might also be faced with the obscure oddities that are the artist’s head and heart; who is he, and what does he want from me? What lies beneath these fragments’ silence? Who are these people whose words hang on the walls? What do they actually share of their desires, of their fears? And what does the artist really convey? What is he showing us? These very questions, their curious concern, the way one has to try and decipher, to get in, this is how intimacy is born.
Most of the fragments are from different phones, from different times of the artist’s life. In his search, he had to sort more than 35 000 photographs and screenshots. Some messages had moved him. Some he showed to his close ones. And thus they fell into the cloud’s external memory, this gigantic compound of fragments with a human shape. The author dove in fiercely to carefully retrieve these few whispers; out of the virtual remains of his relationships, he made tangible, physical objects, so as to lay them before the others’ eyes, witnesses to a body plagued with pixels, unable to incarnate.
What can we see, of the space that underpins these works? What has the author really given us? The thin layer of anonymity, the moving images, the very dispatch of works in the different rooms require a step back, a step closer, back and forth between two fragments that suddenly appear to be bonded. Hence, the spectator moves closer and closer. At the closest of a fragment, he could hear the author’s silences, read the fading text of a moving image, or face his own gaze through a hundred eyes. He could also keep walking, not retrace his steps, not look for these devilish details. Too far or too close, intrusive or careless, the public finds balance in this space; as he would in a relationship, he chooses how far he will reach, how far he will go to expose the other to his gaze.

When the public looks at a fragment, the present entangles with the artist’s memory, and with the moment at which the artist shaped this memory into his fragment. These timelines cross in an inextricable not, which complexity constantly reminds us of what we lack. The author manifests an implicit, sensitive space, which we make out from the thin bonds tying his works together; to the public, the keys of this space are nonetheless found wanting. He is too close, he is too far, is he embarrassed? Perhaps. He can hardly read a title, he asks his friend for a translation; always, he lacks what would pierce the fog of the fragments, make them transparent to his eyes. This gap is filled in no time with his own questions, his projections, his sensitivity which crackles within the images.
What should we do then, with the other, so close? Let him live or make him yield? Some fragments shed light on physical manifestations of censorship. An urn, a mutilated body, the eyes that keep watch, both voyeur and inquisitive, hypocritical ambivalence. The choice is the public’s; from this moment forward, a bond takes shape between him and the artist, a new secret is born, right now.

Text by Guillaume Lepitre

For more informations about the artist:
https://www.pierrebarbrel.com

Opening Thursday, June 20th 2019, from 19pm

June 20th, 2019 | July 06th, 2019
Tuesday to Friday : 2pm-7pm
Saturday : 2pm-6pm

FOCO
Rua da Alegria, 34
1250-007 Lisboa