Juan Crespo

Juan Crespo (Zaragoza, Espanha, 1987). Trabalha e mora em Londres.
Graduado em artes plásticas da Universidade de Barcelona, ​​onde também estudou o MA “Artistic Production and Research”, seguido dos Mres. “Moving Image” em Central Saint Martins, Londres. Ele também é co-fundador do Projeto PIL ( http://www.pilproject.net )
As exposições individuais selecionadas incluem: Diaspora of the line, Window Space/Whitechapel Gallery, Londres, Reino Unido, 2016; Studio Materials. Diaspora of the line, Chalton Gallery, Londres, 2016; CTo fall down a wall is even harder than erecting it, Window Space/ Whitechapel Gallery, Londres, 2016.
Ele participou recentemente das seguintes exposições coletivas: Be blinded by an inner light. PIL Project 2.0., VRC Space Centre, Dundee, Escócia, 2016; Post Internet Landscapes, The Cass Gallery, Londres, 2015; Escenarios Videografics, LOOP Festival, Barcelona, ​​2014; Overture: Act III, Sala d’art Jove, Barcelona, ​​2013; Bienal Leandre Cristofol, La Panera, Lleida, Espanha, 2013; entre outros.

FOCO tem o prazer de apresentar a primeira exposição individual de Juan Crespo em Portugal. Conceptualmente, a pesquisa de Crespo é formada por mitos locais, herança popular e abordagem colonial da história, materializando-se esteticamente através de uma variação de gestos de arquivo, escultura e instalação.

Para esta exposição Crespo desenvolveu um novo corpo de trabalho, onde corporeidade e leveza coexistem no espaço físico da galeria, transformado numa justaposição de referências a e diferentes temporalidades e medias, criando um cenário pós-antropocêntrico habitado por vestígios humanos, maioritariamente residuais.

A exposição estuda as teorias de Paulo Virno no seu livro “Déjà Vu e o fim da história”, onde o autor expõe este fenómeno psicológico como uma oportunidade de expandir a memoria e a consciência histórica. Dentro deste parâmetro, a lógica da temporalidade tende a omitir a relevância do presente, interpretando-o como uma qualidade da linguagem que esta intimamente ligada com o passado. Assim, o passado tem inerente e escondido o potencial do futuro – futurologia – consumando a crise da compreensão linear.

Neste clima anacrónico, as peças principais Cement ruins (2017) e Sand (2017) aludem a anedota de John Smith, um engenheiro e almirante do Império Britânico empenhado na produção de um novo cimento no Belize em 1820. Após usar areia local como madeira, os diferentes testes e tentativas desenvolvidos ao longo de um ano foram infrutíferos. O solo da região era inadequado a este tipo de composto e, consequentemente, o cimento produzido era de qualidade baixa, inadequado para construção. O cimento foi então importado, drenando o orçamento imperial alocado à região e afectando o desenvolvimento dos planos para as Índias Ocidentais.

Esta falha forçada pela natureza manifesta-se em outros segmentos da exposição. Rainforest (2017) refere problemas de aclimatização e adaptação, uma vez que as plantas que compõem a peça irão progressivamente morrer, acompanhando a duracao da exposição. Periapt (2017) utilisa a sua materialidade para evocar conotações não cientificas ou conhecimento natural experiente. Por fim, os desenhos de How to spend a night out there (2016) definem o cenário de uma situação perturbadora experienciada por um sobrevivente pós- humano, enquanto Untitled (2017) , a peça de macramé, suspensa na parede, vai de encontro a tradições locais, complementando a ideia de ritualismo colonial inerente à exposição.

https://www.juancrespoworks.com

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Juan Crespo (Zaragoza, Spain, 1987). Works and lives in London.
Graduated in fine arts from the University of Barcelona, where he also studied the MA “Artistic Production and Research” followed by the Mres. “Moving Image” in Central Saint Martins, London. He is also co-founder of PIL Project ( http://www.pilproject.net )
Selected solo exhibitions include: Diaspora of the line, Window Space/Whitechapel Gallery, London, UK, 2016; Studio Materials. Diaspora of the line, Chalton Gallery, London, 2016; To fall down a wall is even harder than erecting it, Window Space/ Whitechapel Gallery, London, 2016.
He has recently participated in the following group exhibitions: Be blinded by an inner light. PIL Project 2.0., VRC Space Centre, Dundee, Scotland, 2016; Post Internet Landscapes, The Cass Gallery, London, 2015; Escenarios Videografics, LOOP Festival, Barcelona, 2014; Overture: Act III, Sala d’art Jove, Barcelona, 2013; Bienal Leandre Cristofol, La Panera, Lleida, Spain, 2013; among others.

FOCO is pleased to present Juan Crespo’s first solo exhibition in Portugal. Conceptually Crespo’s research is informed by local myths, folk heritage and de-colonial approach to history, which is aesthetically materialized through a variation of archival gestures, sculpture and installation.

For this exhibition, Crespo has developed a new body of work, where corporeity and lightness co-exist in the physical space of the gallery. Through a juxtaposition of references to different temporalities and media, Crespo creates a post-antropothentric scenario where human traces are merely residual.

The exhibition’s title is borrowed from Paolo Virno’s book “Déjà vu and the End of the History”, in which this psychologic phenomena is presented as an opportunity to stretch memory and the historical consciousness. The logic of temporality within this frame tends to omit the relevance of the present, interpreting it as a quality of the language, which is intimately relate to the past. In this manner, past has the inherent and hidden potential of the future –futurology– consummating the crisis of linear understanding.

In this anachronistic climate, the main pieces Cement ruins (2017) and Sand (2017) are playing with the anecdote of John Smith, an engineer and admiral of the British Empire, who was committed to the production of a new and local cement in Belize in 1820. After using local sand as timbre, the different tests and attempts carried on for more than a year were unsuccessful. The soil from the region was inadequate for this type of compound, and as a consequence, the concrete was a low-quality mixture unsuitable for construction purposes. The cement had to be imported from abroad, draining the imperial budgets for the region and affecting the development of the West Indies’ plans.

This historical failure forced by nature, unfolds in other segments of the exhibition. Rainforest (2017), brings the problems of acclimatisation and adaptation, as the plants composing the work will progressively die over installation’s duration. Periapt (2017) employs its materiality to evoke connotations to non-scientific or natural experienced knowledge. Finally, the drawings of How to spend a night out there (2016) sets the scenario of a disturbing situation experienced by a post-human survivor, whilst the macramé wall hanging Untitled (2017), goes over past local traditions, complementing the exhibition insight into colonial ritualism.

https://www.juancrespoworks.com